| A
religião chinesa não é uma religião única como
o judaísmo ou o islamismo. É constituída de muitas
religiões e filosofias diferentes, as mais conhecidas
são o confucionismo, cujo nome derivou de seu fundador,
Confúcio (551-479 a.C.), e o taoísmo. Ao lado delas, a
religião popular é tão extensamente praticada que,
embora seja ainda mais diversificada, se constitui em um
quarto caminho. Os chineses em geral não sentem que
devam aceitar determinada religião ou filosofia e
rejeitar as demais. Eles escolhem aquela que parece ser
mais conveniente ou proveitosa - seja no lar, na vida
pública ou em um dos ritos de passagem. |

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| Confucionismo |
| As
idéias do sábio K´ong-fou-tseu (551-479 a.C.), conhecido no
Ocidente como Confúcio, são as mais importantes do
pensamento chinês, a par do taoísmo e do budismo. Porém,
Confúcio não pretendia fundar uma religião. Seu propósito
era propiciar instrução moral e ensinar as pessoas a viver
bem, de acordo com os valores de dever, cortesia, sabedoria e
generosidade. Uma das idéias mais importantes de Confúcio
era que os filhos deviam honrar e respeitar os pais tanto em
vida como após a morte. Por isso, ele encorajava a prática
do culto aos antepassados, que já fazia parte da religião
chinesa. Sábios posteriores como Mêncio (c.372-289 a.C.) e
Zhu Xi (1130-1200) transformaram as idéias de Confúcio num
sistema religioso. |
| Taoísmo |
| Os
adeptos do taoísmo buscam um caminho espiritual, o Tao,
formulado por antigos pensadores chineses. Porém, o Tao é
mais do que um caminho, é definido também como a fonte de
tudo neste mundo. Ao seguir o caminho, os taoísta aspiram à
união com o Tao, e portanto com as forças da natureza. Isso
implica livrar-se de preocupações e apego ao mundo material
para concentrar-se no caminho, alcançando assim equilíbrio e
harmonia na própria vida e conquistando a paz que vem da
compreensão. Diz-se dos que atingem esse objetivo que serão
imortais após a morte física. Pensadores taoístas modernos
distinguem duas formas desse credo estreitamente ligadas: o
taoísmo religioso, que envolve a busca do Tao e o culto das
divindades, e o taoísmo como um completo modo de vida, o que
inclui idéias tradicionais sobre saúde, meditação e
exercício. |
| Budismo |
| O
budismo é o terceiro dos três caminhos. Ela penetrou na
China perto do início da era cristã, atingindo seu apogeu
durante a dinastia T´ang (618-907). Ao oferecer aos chineses
uma análise da natureza transitória e sofredora da vida, o
budismo oferece também um caminho de libertação,
introduzindo no entanto a possibilidade de que os ancestrais
estejam sendo atormentados no inferno. Rituais para adquirir e
transferir méritos aos mortos tornaram-se importantes, seja
pela execução correta de funerais, seja por meio de outros
rituais. A fim de introduzir o budismo na China, os budistas
realizaram vastos programas de tradução, literalmente de
textos, mas também de idéias indianas, divindades e outras
figuras. Leia
mais... |
| Religião
Popular |
| Há
um quarto "caminho", a religião popular da vida do
dia-a-dia, com festivais dramáticos, mundos-fantasma,
técnicas de magia (que abrangem desde curar doenças a erguer
casas) e cuidados com os mortos e ancestrais. Uma prática
importante é a Feng Shui, ou geomancia, a escolha do local
das habitações, para mortos ou vivos, em áreas que recebam
as correntes do alento vital, o ch´i, por onde ele circula.
Cidades podem ser construídas sob esses princípios, buscando
harmonizar as energias yin e yang, de cuja interação o
universo e suas inúmeras formas emergem.
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| O
Mandato Celestial |
| A
noção chinesa de realeza estava enraizada na crença de que
os ancestrais reais tornavam-se divindades e deveriam ser
cultuados. Se os governantes chineses ganhassem a aprovação
do Céu e dos ancestrais, eles assegurariam a regularidade das
estações, uma boa colheita, o equilíbrio correto do yin e
do yang na comunidade e a manutenção da hierarquia real.
Isso era chamado o Mandato Celestial. Os primeiros textos,
preservados no Shu Ching (Clássico da História), revelam uma
noção de "direito divino". O povo chou, que
destronou seus governantes em 1027 a.C., estava ansioso para
mostrar que o Céu havia sancionado sua sucessão, e o
filósofo confucionista Mêncio (371-289 a.C.) ajudou-os a
sustentar seu poder afirmando que, se o governante fosse
juntos, fizesse sacrifícios para o Céu e cultuasse os
ancestrais, então a ordem cósmica, natural e humana seria
mantida e o governante conservaria a Mandato Celestial. |
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